Águeda: Pateira de Fermentelos vai receber investimento de 5 milhões de euros para remoção de sedimentos

2026-08-26

Projeto prevê a retirada de 200 mil metros cúbicos de sedimentos. O lançamento do concurso deverá acontecer até ao final do ano

Águeda: Pateira de Fermentelos vai receber investimento de 5 milhões de euros para remoção de sedimentos

A Pateira de Fermentelos vai beneficiar de um investimento de cerca de 5 milhões de euros para a remoção de 200 mil metros cúbicos de sedimentos, num projeto que pretende atuar sobre uma das principais causas da proliferação dos jacintos-de-água e contribuir para a recuperação ambiental daquela que é uma das maiores lagoas naturais da Península Ibérica. O anúncio foi feito ontem por Pimenta Machado, Presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), durante a visita do Ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, ao concelho de Águeda.
O projeto, que se encontra já desenvolvido e com o respetivo estudo de impacte ambiental em fase avançada, tem financiamento garantido e deverá avançar para concurso até ao final deste ano, segundo revelou o Presidente da APA. A intervenção incidirá na remoção dos sedimentos acumulados na Pateira, onde se encontra parte significativa da carga de nutrientes que favorece a proliferação dos jacintos.
Durante a visita, Pimenta Machado destacou o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelo Município de Águeda no combate à proliferação dos jacintos, nomeadamente através da remoção direta das plantas aquáticas. O responsável da APA sublinhou, contudo, a necessidade de complementar esta ação com uma intervenção sobre as causas do problema.
“Há dois níveis de intervenção: combater as consequências, que é o trabalho que o Município de Águeda tem feito, e trabalhar nas causas, que é retirar a poluição dos nossos recursos hídricos”, afirmou Pimenta Machado, salientando a importância de uma ação concertada entre as várias entidades com responsabilidades na gestão e proteção dos recursos hídricos.
O Presidente da Câmara Municipal de Águeda, Jorge Almeida, sublinhou que o Município tem assumido uma posição de liderança na defesa e valorização da Pateira, mas que a dimensão e complexidade do problema exigem uma resposta estrutural e articulada.
“A Pateira é um património natural de enorme valor e temos assumido, ao longo dos anos, a responsabilidade de fazer tudo o que está ao nosso alcance para a proteger. A remoção dos jacintos é indispensável, temos tido um trabalho nessa área exemplar e único, mas sabemos que não chega. Precisamos de atuar sobre as causas e é precisamente por isso que este investimento é tão importante”, afirmou Jorge Almeida.
 
Retirada de sedimentos
A nova intervenção prevê a retirada de cerca de 200 mil metros cúbicos de sedimentos, numa operação que pretende reduzir a disponibilidade de nutrientes acumulados na lagoa e, dessa forma, diminuir as condições favoráveis à expansão dos jacintos-de-água.
O projeto está a ser desenvolvido no âmbito da Ria Viva, parceria que envolve o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a APA e os municípios da região de Aveiro, através da Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA).
Para além da intervenção na própria Pateira, Pimenta Machado salientou a necessidade de atuar a montante, designadamente sobre as diferentes fontes de poluição que chegam aos cursos de água que alimentam a lagoa. Entre estas encontram-se a poluição urbana e das águas residuais, a poluição difusa e os contributos provenientes da atividade agrícola, nomeadamente através da presença de nutrientes como fósforo e azoto.
“A Pateira recebe os contributos de vários locais e temos de trabalhar nas causas. É fundamental retirar a poluição dos nossos recursos hídricos”, afirmou o Presidente da APA, defendendo uma ação articulada entre a administração central, municípios, setor agrícola e restantes entidades com responsabilidades na proteção da água.
Durante a visita a Águeda, o Presidente da APA abordou ainda o reforço da monitorização da qualidade da água nas zonas afetadas pelos incêndios registados recentemente, incluindo no território de Águeda e Vouzela. A APA aumentou a frequência das análises realizadas nos rios, ribeiras, albufeiras e zonas de captação de água para abastecimento público, bem como nas zonas balneares.
Segundo Pimenta Machado, as primeiras análises realizadas não revelam motivos de grande preocupação, tendo sido registado apenas um aumento da turvação da água, considerado expectável face às chuvas e ao possível arrastamento de cinzas e sedimentos das áreas ardidas.

 

 

 

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