2026-01-19
A decisão foi tomada na última reunião, de carácter privado, pelo Executivo liderado por Rui Cruz.
O Executivo Municipal de Vagos revogou, na última reunião de Câmara, o contrato celebrado entre a Câmara Municipal e o artista Paulo Neves, a 10 de outubro de 2025, pela necessidade de esclarecer o negócio, como explicou à Vagos FM, o presidente da Câmara de Vagos, Rui Cruz.
O autarca confessa que esta revogação foi realizada para “acima de tudo começar a repor a legalidade” e conta que “o presidente da Câmara de Vagos cedeu, gratuitamente, ao artista Paulo Neves quatro sequóias com mais de 50 anos – madeira nobre e que tem um valor de mercado muito elevado -, e que saiba não houve deliberação prévia da Câmara Municipal e, mais importante, não houve deliberação/decisão da Assembleia Municipal”, adiantou o autarca que explica que “para vender/alienar/onerar qualquer tipo de bens – nomeadamente doações – a Assembleia Municipal deve deliberar e a Câmara Municipal também”.
Rui Cruz confessa que, segundo o que lhe foi comunicado, “a Câmara deu-lhe gratuitamente as quatro sequóias, cortou-as, entregou-as no atelier dele [do escultor] ” e que Paulo Neves comprometeu-se a devolver à Câmara Municipal “quatro ou cinco pilares de cubos esculpidos”, semelhantes à obra que se encontra bem perto da Costa Nova.
A surpresa do edil vaguense prendeu-se com a alegada tentativa de venda das referidas esculturas ao Município. “Então se assim é, a Câmara Municipal vai avaliar a madeira que lhe cedeu e depois de avaliar vai-lhe dizer «muito bem a madeira que lhe foi cedida tem este valor de mercado» e nós temos tabelas do ICNF para avaliar esse valor, temos cálculos de medidas das árvores – também é fácil chegarmos a uma conclusão de quantos metros lhe foram cedidos -, e, portanto, vamos-lhe apresentar a conta”, argumentou concluindo que o artista “depois pode-nos apresentar a conta dos pilares esculpidos”.
O artista já foi notificado da decisão da Câmara de Vagos. O próximo passo da autarquia será reunir com Paulo Neves para “esclarecer o que é que se passou naquela altura e confirmar os factos que nos foram transmitidos por quem assistiu à conversa e ao negócio”, afirmou Rui Cruz que garante que “há testemunhas desse negócio”.